Aurora Lenta começou no meu quarto, na parede da cabeceira. Quase sempre me inspiro nos tons do céu, mas aqui não tinha azul. Vieram os tons da cidade, dos prédios, misturados ao verde das árvores. Tudo quente, puxado pela madeira e pelo piso do quarto. Rosé pálido, cinza-esverdeado e branco-bruma se sobrepõem em camadas finas, com gestos quase imperceptíveis. Os respingos brancos são pontuais, pequenas marcas do tempo da pincelada.
A paleta segue um espírito japandi: tons que a gente encontra na natureza, que puxam para o natural. Funciona melhor onde a luz muda ao longo do dia. Ela absorve essa variação e devolve devagar, como um afresco respira a umidade do ar.
Materiais e técnica
Acrílica matérica em múltiplas camadas, com pincelagem larga e respingos controlados de branco. Acabamento mate, sem verniz. A pintura é feita in loco e o prazo depende da extensão da obra. Uma parede leva poucos dias. Áreas maiores ou várias superfícies pedem mais tempo. O preparo da parede e a proteção dos rodapés já entram no projeto.